"Compro o que é nosso"
Ando à uns tempos para fazer um artigo relacionado com este tema. Uma vez que não me sinto à vontade com o tema e não disponho do tempo que gostaria de ter para me dedicar ao dito, decidi colocar aqui um artigo de opinião do Sr. Paulo Pereira, de Almeida, Professor do ISCTE e Investigador, que escreveu o seguinte no JN de 7 de Fevereiro de 2007.
"A campanha de publicidade da Associação Empresarial Portuguesa (AEP) "Cá se fazem, cá se compram", a primeira acção no âmbito do programa "Compro o que é nosso", é uma ideia boa, porque necessária e oportuna. A educação e a informação dos consumidores são hoje uma necessidade e também uma fórmula - eficaz se bem aplicada - para ajudar as empresas nacionais a vender os seus produtos, perante uma concorrência global e um evidente esmagamento das margens comerciais que - no limite - só beneficia os empresários que operam em ordenamentos económicos com poucas (ou nenhumas) regras e direitos laborais. Não se trata, pois, de um nacionalismo simplista ou de um proteccionismo desadequado este projecto "Compro o que é nosso" (que passa por um investimento de 2,1 milhões de euros durante este ano) apela antes à consciência cívica de consumidores, empresários e trabalhadores, no sentido de comprarem o que os portugueses produzem. Porque - como todos sabemos - há muito bons produtos à venda no nosso país, de qualidade superior, e a preços acessíveis. De acordo com a AEP, já aderiram ao projecto "Compro o que é nosso" mais de 100 empresas representativas de vários sectores de actividade. E a Associação Empresarial espera, até ao final do primeiro trimestre, um total de 250 adesões. Um bom sinal, se pensarmos que assim se cria (e mantém) emprego e se contribui para o desenvolvimento sustentável do país.Aliás - e se formos um pouco mais além - verificamos que a dependência de Portugal em relação ao que é produzido no estrangeiro e importado em grande volume é, no mínimo, preocupante é voz corrente que o país se tem vindo a transformar numa espécie de "Centro Comercial da Europa", um local conveniente para as empresas internacionais venderem os seus produtos, muitas vezes sem grandes contrapartidas visíveis para o sector produtivo. Ora, comprar o que é nosso não quer dizer que apenas a indústria é que beneficia. O sector terciário - que, nos países mais desenvolvidos e competitivos, emprega mais de 80% da população activa - também sai, directa e indirectamente, beneficiado. É assim que comprar o que é feito por cá pode dar uma boa ajuda às empresas e aos trabalhadores. E disso, penso eu, ninguém duvida..."
in JN 07/02/2007

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